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Audiência Pública sobre depressão e suicídio é realizada na Câmara Municipal de Alagoinhas

Foto: Divulgação
Na última quarta-feira (26) foi realizada uma audiência pública com o objetivo de discutir um dos maiores problemas da atualidade, as circunstâncias em que ele acontece e esclarecimentos sobre o público-alvo vítima da depressão, que segundo a Organização Mundial de Saúde, é a maior causa de incapacidade no mundo.

A audiência foi fruto de um requerimento do vereador Pastor Lins, que há mais de 30 anos desenvolve um trabalho de recuperação e restabelecimento social com dependentes químicos na cidade de Alagoinhas. A instituição que realiza esses atendimentos já recebeu pessoas vítimas da depressão que tentaram o suicídio: “Temos uma compreensão pela experiência do que é essa realidade.”, relatou o vereador.

O Presidente Roberto Torres abriu a audiência passando a palavra para o Pastor Lins, que conduziu os trabalhos. Em seguida, foram convidados para compor a mesa: Cláudia Gomes, psicóloga especialista em programa de saúde da família, Danilo Conceição, psicólogo do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) - Alagoinhas, Jucilene Silva Lima, Pastora do Tabernáculo Profético Hesedh, que realiza um trabalho de aconselhamento cristão, Roque Costa, Presidente do Conselho Municipal de Saúde e Capitã Aurenivea Peixoto, representando o 4º BPM de Alagoinhas.

O encontro reuniu no plenário da Casa Legislativa, além de representantes de entidades sociais, sociedade civil, estudantes e profissionais da área de psicologia, funcionários do CAPS, pais e mães, entre outros, que preocupados com o tema emitiram as suas opiniões e relataram, através de depoimentos, as suas experiências e inquietações.

Ao iniciar a sua fala, o vereador Lins apresentou estatísticas que conseguiu recolher recentemente em relação aos casos de suicídio: “Hoje temos entre a cidade de Alagoinhas e o nosso entorno, de janeiro de 2016 aos dias atuais, 21 casos de suicídio. Isso traz uma preocupação muito grande”, afirmando ser um dos motivos da realização do encontro: a necessidade de abordar a temática, convidando autoridades e profissionais da área competente para nortear a definição de propostas e ações a fim de amenizar esta triste realidade.

O Presidente do Conselho de Saúde durante a sua fala desabafou: “Nós não temos uma estrutura de psicologia nem de psiquiatria para atender crianças e adolescentes no município, não temos ainda...a Secretaria de Saúde precisa abrir mais espaço para profissionais de psicologia, para a partir daí criar projetos que atendam esses casos específicos de depressão e suicídio. O CAPS não tem estrutura para atender crianças e adolescentes, por exemplo. É importante essa discussão vir para a Câmara, porque é daqui que precisa sair projetos em relação à isso.”

A Capitã do 4º BPM, representante do Tenente Coronel Major Jarbas pontuou: “A depressão não olha idade e nem classe social. Ela se torna um mal público a ser discutido porque as pessoas vítimas de depressão se afastam das atividades sociais, perdem a sua função social...É dever do estado preservar o bem maior que é a vida, nesse sentido todos os órgãos devem estar atentos a esse mal para que a vida seja preservada.”

O 4º batalhão consciente dessa responsabilidade criou o grupo “Anjos de Farda” que busca o apoio psicossocial dos policiais militares da ativa e dos aposentados, e da comunidade em geral através de alguns programas sociais. Na oportunidade, a Capitã colocou o grupo, o Comando do 4ª Batalhão e a sua tropa à disposição da sociedade de Alagoinhas para a formação de uma rede de enfrentamento e de cuidado com o outro.

Danilo Conceição, que atuou durante dois anos como residente nos serviços públicos de saúde do município, trouxe na sua explanação a depressão e o suicídio como problemas de saúde pública, a necessidade da prevenção e um fluxograma com os serviços disponíveis na rede de atenção psicossocial de Alagoinhas, apresentando de que forma eles podem oferecer suporte e o cuidado às pessoas que estão passando por sofrimentos mentais.

Como representante religiosa, a Sra. Jucileide, falou sobre o seu trabalho de aconselhamento, desenvolvido desde o ano de 2013 e da necessidade da ação pública, da sociedade e de um plano de ação que alcance os jovens para o enfrentamento da questão, abordando questões delicadas como a automutilação, um distúrbio de comportamento que pode ter origem no sofrimento emocional causado pela depressão.

O vereador Thor de Ninha parabenizou o Pastor Lins pela iniciativa, discorrendo: “Quando se fala de morte temos certa resistência, temos dificuldades de tratar desses assuntos porque na maioria das vezes o suicídio é tido como uma questão social. Hoje, temos uma maior incidência...mas as causas só ampliaram, principalmente pelo que os profissionais aqui trouxeram que é o ter ao invés do ser.” O vereador demonstrou também certa preocupação em relação à rede de proteção apresentada pelos profissionais: “Essa rede precisa funcionar muito bem e precisamos garantir isso: é papel dessa casa, do Conselho, do Poder Executivo e da sociedade como um todo!”.

A psicóloga Claudia, representante da Dra. Simone Paes, psiquiatra, falou das doenças psicopatológicas, das novas construções de família e da atenção que é preciso ser dada a essas questões, esclarecendo que independente de opinião em relação as novas construções é preciso dar afeto aquela criança, adolescente que precisa ser cuidado. “Suicídio e depressão estão de mãos dadas. Um dos sintomas da própria depressão é a ideação suicida. Aquele que consegue ter o cuidado no tempo hábil, ele recua.”

A profissional trouxe dados da OMS sobre suicídio, fazendo uma análise histórica desde a formação da sociedade, deixando a seguinte mensagem para reflexão: “Ser uma pessoa de bem consigo, com familiares e outras pessoas da sociedade, o tempo todo, esse é o nosso grande desafio, é a nossa tarefa de casa, diária”.

O vereador autor agradeceu a presença de todos citando um versículo de Isaías; 41:6: “Um ao outro ajudou e ao seu irmão disse: Esforça-te.”, complementando: “E é exatamente isso que estamos fazendo aqui nessa tarde. Procuraremos todo o apoio! Estaremos juntos para fortalecer o que já existe, para que possamos depois apresentar soluções, melhorias e automaticamente ficarmos mais satisfeitos ao vermos que o que estamos fazendo consequentemente produzirá mais resultados.”.

Da redação Luciano Reis Notícias, com Ascom - Câmara Municipal de Alagoinhas

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