BAHIA

MP-BA investiga denúncia de racismo envolvendo torcedoras do Bahia

[MP-BA investiga denúncia de racismo envolvendo torcedoras do Bahia]

Torcedora do Bahia, a diretora do campus do Instituto Federal da Bahia (IFBA) na cidade de Santo Antônio de Jesus, a cerca de 184 km de Salvador, Edna Matos, denunciou, na segunda-feira (11), ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) que sofreu racismo junto com a filha por meio das redes sociais. A investigação foi aberta no Grupo de Atuação Especial de Proteção dos Direitos Humanos e Combate à Discriminação, de acordo com a promotora Lívia Vaz.
No final de agosto, a imagem dela e da filha, ambas negras e usando camisas do time baiano, foi comparada, por meio de uma montagem, com torcedoras brancas do Grêmio, juntamente com a frase: “ainda tem gente que acha que time é tudo igual”. 
A imagem dela e da filha havia sido cedida por Edna a um site de notícias para uma matéria sobre uma promoção que o Esporte Clube Bahia iria fazer em homenagem ao Dia da Mulher. 
“Também recebi apoio de torcedores do Grêmio e juntei material que eles também receberam e entreguei ao Ministério Público. Quando a torcida diz que não é racismo e não é só a estética, vem com comentários agressivos que reforçam o preconceito”, contou ao G1.
A filha de Edna, que estuda em Lisboa, também sofreu com ataques depois que a imagem foi compartilhada. "Minha filha recebeu a imagem um dia antes, mas não quis me mostrar. Ela ficou mal. Ela também não quis escrever nada e aguardou o que eu ia fazer. Isso tem atrapalhado os estudos dela. O assédio foi grande. A gente recebe mensagens de apoio e de agressão, isso foi um transtorno para ela”, relatou.
Ao site, a promotora Lívia Vaz, informou que dependendo da investigação, o responsável pode responder de maneira criminal ou civil, pelo crime de injúria racial - que é o ataque individual - ou de racismo - que atinge a coletividade das pessoas negras.
A promotora diz que o material relativo à denúncia, com "prints" de postagens e comentários em redes sociais foi encaminhado para apuração no núcleo de crimes cibernéticos, que fará um relatório, a fim de identificar os autores das postagens.
O IFBA emitiu nota de repúdio em relação ao caso. “Entendemos que é incabível que qualquer pessoa passe por constrangimentos ou segregações, venham de onde vierem. Somos uma instituição de educação integrada, preocupada tanto com a formação profissional como com a constituição moral e ética dos nossos estudantes. Assim, vimos a público externar apoio à diretora do Campus Santo Antônio de Jesus, Edna Matos, mulher, negra, que tem se dedicado ativamente ao desenvolvimento desse Instituto, inclusive no que diz respeito à formação cidadã dos nossos estudantes”, diz o comunicado. ( Luciano Reis & Bnews )

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