Profissionais tatuados vencem preconceito em mercado conservador - Luciano Reis Notícias
Profissionais tatuados vencem preconceito em mercado conservador

Profissionais tatuados vencem preconceito em mercado conservador

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Foto: Reprodução/A Tarde
Uma das mais antigas expressões de identidade do mundo, a tatuagem ganhou uma conotação negativa com o passar dos anos, tornando-se um empecilho para aqueles que procuravam emprego e tinham a arte na pele. No entanto, será mesmo que a velha frase "com isso no corpo, você não vai conseguir trabalho algum", que nossos pais e avós diziam, ainda é uma realidade no mercado de trabalho?
Conhecido pelos tatuadores como Urbano, William Silva tem 20 anos e há dois criou o próprio estúdio de tatuagem, o Urbano Tattoo, no bairro de Sussuarana, em Salvador. Para ele, criar e ter uma tatuagem é um ritual. "Tatuagem para mim é um sentimento em forma de tinta, é um ritual onde se eterniza algo que você se identifica e que gostaria de levar pra o resto da vida. Tatuagem é para quem ama tanto a arte que deseja carregá-la para sempre na pele", conta.
O jovem tatuador explica que, para ele, preconceito é algo que todos têm e, por essa razão, acabam sempre julgando outras pessoas antes de conhecê-las. "Com pessoas tatuadas não é diferente. Por outro lado, a cada dia a tatuagem está sendo mais bem vista e aceita em áreas do mercado de trabalho que ninguém imagina que seriam aceitas", diz.
No entanto, Urbano chama a atenção para o fato de que, até mesmo os lugares abertos a aceitar pessoas com tatuagens aparentes, a reação de terceiros ou possíveis empregadores ainda depende do tipo e local da tatuagem.
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É um absurdo. Como se o que está na pele tivesse alguma relação com a competência profissional
Gabriel Bonfim, advogado

Empregadores e clientes
Advogado e professor de processo civil, Gabriel Bomfim afirma que o tabu em torno da tatuagem se reduziu, mas ainda existe, e que o preconceito parte não apenas do empregador, mas também dos clientes dos profissionais tatuados.
"Algumas profissões mais conservadoras têm de fato essa enorme dificuldade em adaptar seus clientes. Muitas vezes, eles não querem ser atendidos ou não sentem confiança nos profissionais, advogados e médicos, por exemplo, se estes forem tatuados. O que é um absurdo. É como se o que está na pele deles tivesse alguma relação com a competência desses profissionais", explica o advogado.
Gabriel Bomfim lembra que houve, em 2016, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que impedia pessoas tatuadas de serem excluídas de concursos públicos. "Mas, no âmbito da empresa privada, o poder diretivo de quem vai contratar é muito forte. O escalão de altos executivos de uma empresa privada não pode, porventura, discriminar uma pessoa por ela ser tatuada, mas pode não contratar uma pessoa por esse motivo, afinal, em uma seleção, não é obrigatório informar a razão do porquê candidatos não foram contratados", ressalta.

Sem restrições
A verdade é que existem muitas empresas onde não há restrições até para quem tem o braço fechado de tatuagens, enquanto outras em que até mesmo uma única tatuagem visível é motivo para dispensar candidatos de seletivas. Por mais bonitas e significativas, as tatuagens ainda permanecem com esse ar ousado, que muitas vezes vai contra a formalidade de alguns ambientes.
Oposto a isso, temos aqueles locais e profissões que não dispensam nenhuma atenção à tinta que a pessoa quis colocar em si. Com 24 anos, Rafael Oliveira começou a se tatuar aos 18 anos e conta que não pensa em parar com as tatuagens tão cedo. Hoje professor de história e com mais de 20 tatuagens espalhadas pelo corpo, ele diz que, certamente, o preconceito ainda existe.
"Ainda mais levando em consideração o período que estamos passando e a força que o conservadorismo tem ganhado. Eu, particularmente, dou pouca atenção a olhares, até porque não passei por tantos problemas por causa delas", conta. Para Rafael, as tatuagens são um meio de expressão, e ele ainda diz que é uma arte que sempre o atraiu. Porém percebe que, no atual mercado de trabalho, as tatuagens podem se tornar uma barreira para quem procura emprego.
"O mercado com certeza está retraído, e o desemprego altíssimo. Acredito que não está fácil para quem não tem tatuagem e para quem tem, e quem mostrar em locais como mão, pescoço ou até braços vai sofrer ainda mais para conseguir se inserir no mercado de trabalho", disse.

Foto: Reprodução/A Tarde

*Sob a supervisão da editora Joyce de Sousa (interina)

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