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Câmara Municipal realiza audiência pública sobre climatização e segurança nas escolas, em Alagoinhas

Fotos: Jhô Paz/Ascom- Câmara Municipal de Alagoinhas

Quarta-feira, 23 de Setembro, de 2026, da Redação- Luciano Reis Notícias, às 19h06. Por Luciano Reis, DRT/8242-BA

Na tarde de segunda-feira, 21 de Setembro, a Câmara Municipal realizou audiência pública proposta pela vereadora Luma Menezes para discutir a climatização das unidades escolares, a segurança dos prédios e a preparação da rede de ensino diante dos efeitos das mudanças climáticas. O encontro reuniu estudantes, profissionais da educação, representantes do Poder Executivo, conselhos municipais e outras instituições, com debates sobre infraestrutura, condições adequadas nas salas de aula, prevenção de riscos e medidas de adaptação nas escolas.

Fotos: Jhô Paz/Ascom- Câmara Municipal de Alagoinhas

Na abertura, a vereadora Luma Menezes ressaltou que o aumento das temperaturas exige respostas do poder público para garantir condições adequadas de ensino e aprendizagem. Segundo a parlamentar, a discussão deve considerar a realidade vivenciada diariamente por estudantes e profissionais da educação.

“Estamos vivendo um cenário de calor extremo, não apenas em nossa cidade, mas em praticamente todo o território nacional. Compete a nós, agentes políticos e pessoas que atuam na gestão pública, compreender essa realidade e nos movimentarmos de forma a garantir que o serviço público ofertado, neste caso específico, a educação pública, seja de qualidade e esteja adaptado à realidade dos profissionais da educação e dos estudantes”, afirmou.

A comunidade escolar teve participação direta na audiência. Estudantes do 9º ano do Colégio Municipal Maria José Bastos e do 8º ano do Colégio Municipal Dr. Jairo Azi apresentaram suas percepções sobre as condições das unidades e defenderam ambientes mais confortáveis e seguros. Entre as questões levantadas estiveram ventilação insuficiente, equipamentos sem funcionamento, ausência de cobertura em espaços para atividades físicas, problemas no forro e preocupação com situações de emergência.

“As escolas devem oferecer um ambiente confortável e seguro para os alunos, professores e funcionários. O ar-condicionado e a boa ventilação ajudam a manter a sala de aula fresca e agradável, melhorando a concentração e o aprendizado dos alunos, principalmente em dias quentes”, destacou uma das estudantes.

Representando o Colégio Municipal Dr. Jairo Azi, a professora de Ciências Hemilly Souza apresentou registros da estrutura da unidade e relatou problemas observados em períodos de chuva e calor intenso. Ela chamou atenção para pontos de alagamento, infiltrações, falta de espaço coberto para atividades físicas e equipamentos de climatização que necessitam de manutenção.

“Quando falamos de prédios preparados para desastres, observamos que a escola fica em uma região abaixo de uma ladeira. A nossa preocupação é com a possibilidade de uma chuva muito forte. Atualmente, quando chove, já verificamos vários pontos da escola com alagamentos. Às vezes, precisamos buscar a infraestrutura mínima necessária para termos um ambiente adequado”, relatou.

Fotos: Jhô Paz/Ascom- Câmara Municipal de Alagoinhas

A coordenadora pedagógica Alexandra Nantes destacou os reflexos do calor excessivo no processo de aprendizagem e defendeu que a climatização seja entendida como parte das condições necessárias para o funcionamento adequado das escolas.

“Climatizar a escola não é luxo, não é benefício, não é conforto. É padrão mínimo de qualidade para que os estudantes tenham garantido o direito de aprender e para que o professor possa desempenhar com maestria o seu papel de ensinar”, afirmou.

Após ouvir os relatos, Luma reforçou que a audiência foi proposta como espaço de diálogo entre comunidade escolar, Poder Legislativo e Executivo. A vereadora também lembrou projeto de lei protocolado em 2025 voltado à adaptação das escolas às mudanças climáticas e à prevenção de desastres, ressaltando que o tema não se limita à instalação de aparelhos de ar-condicionado.

“A audiência pública é para que possamos escutar todas as partes, mas principalmente a parte mais afetada, que são os profissionais da educação e as crianças e adolescentes que estão dentro da sala de aula. A partir disso, coletivamente, podemos encontrar caminhos e soluções para essa realidade que enfrentamos em nossa cidade”, declarou.

Planejamento

A secretária municipal de Educação, Rita de Cássia, apresentou informações sobre as ações previstas pela pasta. Segundo ela, 25% das unidades escolares já são atendidas com climatização por aparelhos de ar-condicionado, com planejamento de ampliação gradativa até alcançar toda a rede. A secretária também informou sobre ações de prevenção a incêndios, diagnósticos das unidades e articulação intersetorial para elaboração de protocolos e planos de contingência.

“Com relação à climatização por aparelho de ar-condicionado, alcançamos o atendimento de 25% das unidades escolares, com pretensão de ampliar esse quantitativo de forma gradativa, para alcançar a meta de 100%”, informou.

O secretário municipal de Planejamento e Captação de Recursos, Bruno Carneiro, destacou que a inclusão do tema entre as prioridades da administração depende também do planejamento orçamentário. Ele citou investimentos em reformas, aquisição de equipamentos e construção de novas unidades, além da possibilidade de discussão de propostas durante a apreciação do orçamento municipal para 2027.

“É muito importante esse momento de discussão, porque o orçamento público é limitado e, no planejamento, trabalhamos com a priorização para atender aquilo que a sociedade entende como mais importante”, explicou.

Representando o vice-prefeito Luciano Sérgio, Flávia Barbosa ressaltou que a adaptação climática das escolas deve ser pensada para além das salas de aula, incluindo arborização, áreas verdes e requalificação dos espaços urbanos.

“Quando falamos em climatização, em escolas seguras e preparadas, não estamos tratando apenas da requalificação da infraestrutura do prédio escolar, mas de todo o ambiente escolar”, pontuou.

Experiências

Convidado para participar da audiência, o vereador de Salvador André Fraga apresentou experiências desenvolvidas na capital baiana, como ações de infraestrutura verde, despavimentação de áreas, implantação de espaços naturalizados nas escolas e planejamento de unidades com ventilação cruzada, energia solar, captação de água da chuva, arborização e hortas.

“Precisamos pensar não apenas na infraestrutura das escolas. Cada vez mais, é necessário encarar a arborização urbana como uma política de infraestrutura e pensar unidades escolares adaptadas às mudanças climáticas desde o projeto”, ressaltou.

Marlene Pimentel, representante do Núcleo Territorial de Educação 18, apresentou informações sobre a rede estadual na região. Segundo ela, parte das unidades acompanhadas pelo núcleo já está totalmente climatizada, enquanto as demais estão inseridas em planejamento para receber adequações.

“A nossa proposta, enquanto governo, é ampliar essa climatização para que consigamos atender todas as nossas escolas e garantir um ambiente de qualidade e de aprendizagem para os nossos estudantes”, afirmou.

A representante do Conselho Municipal de Educação, Claudine de Souza, ressaltou que as visitas realizadas às unidades escolares têm evidenciado a necessidade de investimentos em infraestrutura, arborização, manutenção dos equipamentos e adequação das redes elétricas. Ela também chamou atenção para medidas de segurança, como disponibilização e manutenção de extintores, sinalização e condições adequadas de entrada e saída em situações de emergência.

“Precisamos, sim, pensar sobre como tornar esse ambiente adequado e diminuir o máximo possível o estresse causado pelo calor. Também precisamos pensar em unidades seguras, com extintores, entradas e saídas adequadas e condições para que estudantes e profissionais saibam como agir em uma situação de emergência”, destacou.

No encerramento, a vereadora Luma Menezes afirmou que as contribuições apresentadas durante a audiência irão subsidiar os encaminhamentos e o acompanhamento das medidas discutidas. A vereadora reforçou a necessidade de tratar a adaptação das escolas às mudanças climáticas como parte das prioridades da agenda pública.

“Uma educação de qualidade passa diretamente pelo entendimento de que as mudanças climáticas precisam ser tratadas com compromisso real, muita seriedade e responsabilidade, e precisam ser prioridade na agenda pública, de forma urgente. Falar sobre isso é urgente, pensar sobre isso e executar medidas nessa linha também se torna urgente para todos nós que ocupamos espaços políticos”, concluiu.

Para assistir a sessão na íntegra, clique abaixo:

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Da Redação- Luciano Reis Notícias, via Ascom-Câmara Municipal de Alagoinhas